Domingo, 10 de fevereiro de 2008.
Existe um festival de rock que acontece mensalmente num clube do subúrbio carioca, em que geralmente se apresentam bandas cover tocando ao vivo.
Acredito que todos nós temos na história de nossas vidas um capítulo dedicado a esse festival (que tem o nome de uma romântica cidade Italiana: "Veneza"). Não precisamos entrar em detalhes agora... mas nesse festival aconteceram alguns momentos históricos. E assim começa o nosso blog... num dia de "Veneza".
Era domingo e como em todo dia de "Veneza", nos animamos pra sair e fomos conferindo os trocados na carteira. O plano era chegar ao festival por volta das quatro da tarde, pra não perder nenhuma das 10 bandas que se apresentariam até as dez da noite. Refratário, PseudoEu e Nyx, prontos. Mme.Jetable, resistindo bravamente às nossas tentativas de despertá-la. Algum tempo depois ela acorda, começa a se arrumar e só depois disso saímos de casa.
Ao dobrar a esquina Mme. Jetable pergunta: "A gente vai de ônibus até o ponto do 592, né?". Refratério e PseudoEu respondem: "Não!". Alguns protestos... seguimos andando. Alguns metros à frente reparamos que o céu está escuro... vai chover. Penso: "Pô... tomara que não esteja chovendo na volta pra casa, senão os poucos ônibus vão lotar!"
Seguimos conversando na nossa caminhada de vinte e poucos minutos até o ponto do 592... quando passávamos na rua da Lan House (ou Rua dos Quebra-Molas, como poderá vir a ser chamada neste blog) começa a soprar um vento mais forte, carregando montes de folhas de árvores pela rua, poeira e terra contra nossos olhos e algumas gotículas de chuvisco.
_ Adoro essa chuvinha fina com vento...
_ Pois é, mas com essa poeira batendo no olho não dá.
_ Tá fortão o vento, hein!
_ É o fim dos tempos!
_ É a Besta! A Besta está chegando!
Continuamos andando e paramos na padaria pra nos abastecermos de Ice ... muito mais econômico já chegar lá "calibrado" do que deixar pra comprar as bebidas lá dentro. Nyx compra a penúltima Kovak, eu compro a ultima Kovak e uma Skarloff, PseudoEu compra duas Skarloffs e Mme.Jetable não compra nada.
A chuvinha fina vira chuva-chuva. Seguimos no caminho até o ponto do ônibus, que não estaria a mais de 6 ou 7 minutos dali. A chuva vai aumentando... apertamos o passo. No sentido contrário várias pessoas fazem o mesmo, fugindo da chuva que aumenta cada vez mais (inclusive uma mãe com uma criançinha que vinha chorando de medo).
As gotas começam a ficar enormes e alguns trovões ressoam ao fundo. Os carros desviam pela contramão de um galho grosso de árvore caído na pista. Atravessamos a rua e eu aproveito pra tirar o galho do meio da rua. Depois de tirar, corro pra alcançar os outros que já estavam quase na esquina.. e quando os alcanço a chuva já está torrencial, já tinha começado a chover de lado por causa do vento forte.
Refratário: "Tá muito forte a chuva! Vamos voltar?"
Nyx: "Vamos!"
Refratário: "Mas e se a gente chegar lá e a chuva tiver diminuído?"
Nyx: "É mesmo... a gente já chegou aqui..." (E nesse exato momento a chuva ultrapassa o último degrau na Escala da Torrencialidade... parecia que os céus gritavam pra gente: "Volta, PORRA!!!")
Atravessamos correndo atrás da Mme.Jetable e do PseudoEu e ficamos os 4 embaixo de uma árvore, sendo um pouco menos encharcados do que seríamos se saíssemos dali. Aproveitamos a pausa na caminhada pra terminar as garrafinhas de Ice (dou a maior parte da minha Skarloff pra Mme.Jetable)... PseudoEu tremendo de frio. Num surto de "Eu quero a minha mãaae!" alguém sugere de ligarmos pra minha mãe vir socorrer a gente no meio da tempestade. Mme.Jetable liga, mas ninguém atende. Aproveito pra desligar meu celular, com medo de que desse curto circuito com a água.
_ E aí? A gente ainda vai no "Veneza"?
_ Não dá... nenhum motorista de Kombi vai parar pra nós 4 encharcados desse jeito.
_ Mas o ônibus pára! Hmmm...Não, não... não dá não. Minha blusa tá transparente, tô sem sutiã!
_ Então vamos sair daqui logo... lá no Pentágono a gente pega um ônibus e volta pra casa.
_ Tá! Vamos correndo!
Fomos... quer dizer.. Nyx e Pseudo foram. Mme.Jetable nem tentou, veio lentamente segurando os peitos. Eu ia, mas resolvi esperar por ela.
Mais à frente encontramos a Nyx no meio da atmosfera branca da chuva (em que não se enxergava mais do que 15 metros à frente, de tão forte que a chuva estava) . De repente ouvimos uma trovoada bem forte. Eu, fazendo voz de apuração das escolas de samba grito pro céu:
"Se-te pon-to um! MANDA UM MAIS FORTE!!!"
E imediatamente depois veio um estrondo brutal:
KABRUUOOOOOOOOOOOOOOHHHHMMMMM!!!
"Éeeeeeee!!! NOTA DEEEEEEEEZ!! NOTA DEEEEEZZ!!!"
Seguimos andando e nos abrigamos embaixo de uma marquise. Ficamos um tempinho lá e reparamos que PseudoEu - que tinha vindo correndo desde o começo da rua - estava na calçada do lado oposto, tremendo de frio sob uma árvore. Chamamos ele pra onde a gente estava. Muito melhor... pelo menos ali não tava caindo água.
_Só acontece com a gente!
_Aháaaaa! Muito booooom!
_Todos os sinais apontavam pra gente não vir... eu avisei!
_ Ih, gente... uma amiga minha mora aqui do lado. Vamos entrar!
_ Liga pra ela!
_ Meu celular tá desligado...
Tento ligar o celular... não consigo digitar o código pra ligá-lo. Com a água o teclado não tava funcionando direito. Curto circuito? Resolvo desligar e tirar logo a bateria pra evitar problemas maiores.
Nyx senta numa cadeirinha de plástico abandonada sob a marquise em que a gente estava.
Tiro a camisa pra torcer e tirar o excesso de água. Mme.Jetable pede pra vestir (e resolver o problema de transparência da sua roupa). Troco a minha camiseta pela bolsa dela.
PseudoEu tira a camisa. Tira o excesso d'água e torna a vestir. Tira a calça (calma, calma... ele vestia uma bermuda por baixo), tira os tênis e as meias... e começa a lavar suas roupas na água que jorra de cima da marquise, tudo isso enquanto os carros passam por nós, como se fôssemos as últimas criaturas vivas no dilúvio. Mme.Jetable responde com acenos às buzinadas dos passantes.
Continuamos animados a cada relâmpago, tentando adivinhar o tempo entre o raio e o trovão... e num momento inesquecível, em que - por sorte - todos estávamos olhando pro céu, um raio corta o céu bem perto de onde a gente estava (um daqueles que fazem o som na mesma hora do clarão). Um estrondo enorme! Em alguns décimos de segundo que se seguiram ao raio deu pra ver várias chamas queimando no ar (sim, NO AR) ao longo do caminho que o raio tinha desenhado. Foi muito rápido, mas deu pra ver: FO-DÁS-TI-CO! Nenhum de nós nunca tinha visto isso.
(Nesse momento insólito surge - ou volta à mente - a idéia de narrar esse episódio num blog que criaríamos os quatro.)
Tentamos tirar uma foto pra registar o momento histórico, mas a câmera do celular da Nyx estava muito embaçada por causa do frio e da água. Acaba não rolando a foto.
Começamos a conversar banalidades, enquanto o PseudoEu limpa os bolsos do maço de cigarros que virou uma 'lama' no seu bolso... um instante depois estamos eu e Mme.Jetable dançando o créu pros carros que passam... paramos na velocidade 3. Não dava pra ir muito além com aquele frio (as juntas meio q travam, sabe...).
A chuva diminuía de volta à normalida e PseudoEu sugere de passarmos na locadora pra pegar 'Tenacious D' e ir pra casa assistir. Começa a jornada de volta... ainda chove, mas agora bem menos. Voltamos conversando sobre a nossa estranha fortuna e sobre como tinha sido divertida (e barata) a hora inteira de diversão gratuita que passamos na tempestade.
Paramos pra comprar pipocas (pra comer durante o filme), mas a Tia Japonesa diz que o mercadinho não está funcionando... tinha faltado luz. Compramos biscoitos e pão (pra fazer cachorro quente) na padaria e vamos pra casa ensopados.
Depois de trocar de roupa no escuro (tinha faltado luz no condomínio quase todo), pegamos o carro e vamos até a locadora do posto, compramos pipocas, mais biscoitos e alugamos o filme que queríamos.
Em casa nós comemos os cachorros-quentes, jogamos baralho (Desconfio) e, como a luz não voltava, resolvemos levar o filme pra assistir na casa da Nyx. Só que um tempinho antes de sairmos a luz voltou. Então resolvemos não sair e assistir aqui mesmo. Botamos o DVD e assistimos até faltar luz de novo.
_ Vamos acabar de ver o filme na casa da Nyx!
_ Vamos!
_ Então ta, vamos.
_ Hmmm... só que o disco tá dentro do DVD player... sem luz não dá pra tirar.
_ Leva o aparelho todo!
_ ¬¬
Acabamos indo na Nyx assim mesmo. Ficamos vendo Fantasia no até tarde... tentando telefonar pra lá um milhão de vezes... mas não rolou.
segunda-feira, 3 de março de 2008
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13 comentários:
ahhh que dia lindo!
Clássico e inesquecível!
Tava pensando...a gente podia fazer outro relato com a história de cada um no "Veneza".Mas depois me ocorreu q em todas nossas "histórias históricas" de lá estavamos bebados e com certeza não lembrariamos de tudo!rs
nahh... aente nao chegou a esse ponto Nyx ¬¬
A gente? Você talvez não... eu passei loooonge do ponto no primeiro "Veneza" Hehehe
Só ela q não passou do ponto!hehe
Hehehe. É sim, essa história de vocês bêbados ficará esquecida para sempre e ninguém nunca saberá, taí...vuando pelo limbo...
Eu sei a minha! E não passei tanto do ponto assim vai...
Eu passei do ponto mas lembro de bastante coisa sim.Não está voando pelo limbo não...tá na memória!haha
O Refratário que não lembra de quase nd!
Eu estava falando do ponto de não lembrar o q fez...
Ta, o Refratário chegou a esse ponto sim rs, mas o resto só ficou na merdinha
eu disse "Na merdinha"
ps: Só me lembro da Nyx chegando no colégio pra fazer prova no dia seguinte amarradona
(alias, nunca vou esquecer desse pós veneza da Nyx)
Por isso que eu falei que não lembrariamos de "tudo",mas de alguma coisa lembrariamos sim.Amarradona como?Num lembro...só lembro de ter ficado passando mal o dia inteiro!
é prq o amarradona era pra ter ficado entre aspas bicho!
rsrs.. tu morgando na escada depois da prova, foi o cume haha
e quando chego em casa, encontro com refratario todo suado, com um paninho na cabeça e um balde de vômito do lado
Ahhhh... nem foi. Pára de fantasiar.
No dia seguinte eu vomitei o café, mas não lembro de ter ficado na cama passando mal...
(Foi isso mesmo?)
Aaaahahahahaha...
Disso aí eu não sabia eim, dessas historinhas pós-Veneza...
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